18/04/2011
Making of Brastemp “Pintando”
Aqui nosso primeiro post da série de Making Ofs, contendo histórias de produção e finalização, além de truques e dicas da produtora.
A idéia central do filme é a transformação de uma cozinha em um ateliê de pintura. A protagonista prepara o timer do fogão e, um segundo depois, sua cozinha se desmonta a sua volta, virando um estúdio caseiro, onde ela passa a pintar um quadro. Decidimos que a melhor maneira de resolver o filme seria filmar apenas a atriz, em fundo chroma, e produzir todo o resto digitalmente.
Como teríamos alguma interação entre atriz, objetos e cenários, precisamos decupar a ação nos mínimos detalhes. Ela começaria o filme com uma luva de cozinha, que sairia sozinha de sua mão, em seguida pegando um pincel e um pote de tinta no ar, e começaria então a pintar seu quadro, assim que a cozinha a sua volta se transformasse em um estúdio de pintura caseiro.
Para a filmagem, precisamos usar um grupo de pessoas para manipular vários objetos ao mesmo tempo. A luva foi puxada para cima por um fio de nylon. O pincel foi movido para o alcance da atriz, preso levemente com dupla-face à um braço metálico, em um tripé. O pote de tinta foi apoiado a uma pequena tábua de madeira. E a tela de pintura tinha um movimento vertical. No início da ação servia como referência do fogão, para que a atriz manipulasse os botões do timer. Depois, erguida até a altura dos olhos, servia de tela para as pinceladas.
Além disso, no momento da transformação, um forte vento foi acionado no cabelo da atriz, de baixo para cima, para casar com a movimentação dos objetos a sua volta. E por último, a luz incidindo na personagem deveria mudar completamente, sendo frontal e suave no início, e, segundos depois, mais dura, vindo do lado oposto, como contra luz. Para isso, mais pessoas foram necessárias, para manipular ventiladores e refletores, tudo sincronizado com os movimentos da atriz e da câmera, contados no cronometro.
Decidimos que a câmera faria um traveling diagonal, se aproximando da atriz, o que deixaria a cena mais sofisticada, com a dinâmica da perspectiva dos objetos. Usamos adesivos de tracking no fundo verde, para que o movimento da câmera fosse detectado e aplicado na câmera virtual na pós produção. Hoje existem diversos programas de tracking 3D, que analizam a cena e replicam os movimentos da câmera real com perfeição. Mas é sempre importante anotar dados que serão usados por esses programas, como a lente utilizada na filmagem, a distância entre a câmera e o chão e entre a câmera e a atriz, além do ângulo da câmera em relação ao chão. Outro truque é trackear mais de um plano: colocar adesivos em duas paredes perpendiculares e também no chão, ajuda o software a entender o espaço tridimensional.
A produção digital começou com uma intensa troca de referências de cenários entre agência, cliente e produtora. Depois de aprovadas, modelamos e texturizamos a cozinha e o estúdio de pintura. A fase de animação só se iniciou depois de tudo devidamente visto e aprovado por todas as partes. Marcamos uma reunião então com a agência para a aprovação da edição das cenas filmadas, ainda em fundo verde, antes de iniciarmos o trabalho de tracking e recorte.
Vários testes de animação foram feitos, com os cenários, para que o movimento das paredes e dos objetos fosse real e ao mesmo tempo dramático, visualmente interessante. Diversas decisões foram tomadas. Como seria a movimentação das paredes e utensílios (de maneira fisicamente possível)? Como os ladrilhos do chão iriam subir sem tocar ou atravessar a personagem? Com que velocidade os objetos deveriam subir, ou aterrizar no estúdio, para que os movimentos coubessem no tempo e ao mesmo tempo ficassem reais?
Como um detalhe a mais de sofisticação, queríamos que a pintura sobre a tela fosse se formando, acelerada, durante o movimento da tela para o chão. Para isso contratamos um pintor, e capturamos em timelapse (sequência de fotos) a pintura de uma natureza morta. Esse filme foi então aplicado como textura na tela 3D. Enquanto a tela descia, um lindo vaso de flores era formado, para então a atriz completar a imagem com algumas pinceladas.
Finalmente, a composição de todas as partes. Usamos curvas de cor animadas, para fazer com que a atriz “colasse” nos dois ambientes, mais fria e desaturada na cozinha, e mais quente, alaranjada no estúdio.
Apesar de ter apenas 15 segundos, o filme exigiu uma complexa logística de produção, com diversas técnicas utilizadas. A densidade de movimentação nas cenas, a dinâmica dos objetos, a interação entra personagem e cenário, fez com que a peça, apesar de curta, ficasse bastante interessante. Foi unanimamente aprovada e funcionou bem ao seu propósito.
Confira aqui o filme finalizado.










